O esquema do sistema Telexfree

Dos blogs Acerto de Contas e Luís Nassif

Desde a semana passada, o Acerto de Contas e o Blog de Luis Nassif estão sendo atacados sem piedade por hackers, na tentativa de eliminar qualquer vestígio da Pirâmide Telexfree. O problema começou há dez dias, quando um texto meu foi ao ar no Acerto de Contas, e republicado por Nassif. Na sexta-feira o blog dele caiu. Na segunda-feira foi a vez do Acerto de Contas. O pessoal do nosso portal Leia Já foi muito rápido, não apenas conseguindo restaurar o blog, mas também foi um grande parceiro, adquirindo por alguns (no plural mesmo) mil reais equipamentos de segurança, evitando que o site caísse de novo.

Mas o fato é que desde então Nassif tem sido impiedosamente alvo dos hackers, e ficado fora do ar com frequência. A ideia do grupo é não deixar com que outras pessoas saibam do esquema. Meu post no Acerto e no Nassif estavam na primeira página do Google e sumiram.

Mas Nassif não está disposto a deixar barato, e publicou uma reportagem no Google, que republicamos aqui. Como um golpista do Espirito Santo montou uma operação internacional usando o nome de uma empresa nos EUA

Por Luis Nassif

Os esquemas pirâmide sempre obedecem a uma mesma lógica.

1. Escolhe-se um produto qualquer . E monta-se uma primeira lista com 10 nomes. Como ele está iniciando o processo, provavelmente os 9 primeiros nomes da lista são clientes fantasmas, criados pelo próprio trapaceiro.

2. As dez pessoas que receberam a lista, pagam o bônus para o primeiro da lista. Depois, montam uma nova lista, na qual o primeiro nome é excluído e a pessoa coloca o seu próprio nome no 10o lugar.

3. A nova lista é vendida para novas dez pessoas que pagam o primeiro da lista e montam novas listas, incluindo seu nome não o 10o lugar. E o nome de quem vendeu para elas no 9o lugar.

4. Portanto, a primeira pessoa a quem a lista foi vendida terá que esperar nove rodadas, antes de começar a receber o retorno.

5. Quando chega sua vez, os primeiros compradores conseguem ganhar bom dinheiro, à custa dos que entraram depois. Cria-se a fantasia de que todos ficarão ricos. Ocorre que o crescimento da pirâmide é insustentável. Chegará uma hora em que não haverá mais incautos para adquirir a pirâmide e ela quebrará, deixando grande parte dos usuários no prejuízo bravo. Estudos estatísticos estimam que, em cada pirâmide, 88% dos participantes perderão dinheiro.

Confira na tabela. – Uma corrente na qual o membro do grupo precise vender para 10 pessoas, na 5a ridada exigirá 100 mil pessoas para não quebrar. Na 7a rodada, 10 milhões de pessoas. Na 10a rodada, 10 bilhões de pessoas.

Os golpes da pirâmide, ou corrente da felicidade, são antigos no Brasil. No caso de golpes, o produto ofertado pouco importava. A receita da corrente consistia no pagamento efetuado pelos novos aderentes aos que entraram primeiro. Nos anos 60, houve uma corrente famosa com LPs de Johnny Mathis. E outra com sapatos Samello. Em 2006, a Irlanda foi vítima do golpe da pirâmide.

O esquema Ponzi – O mais famoso golpe da pirâmide do século passado foi o “esquema Ponzi”, criado pelo criminoso norte-americano Charles Ponzi. Imigrante italiano, Ponzi chegou aos Estados Unidos em 1910. Descobriu que selos de carta de outros países poderiam ser utilizados nos Estados Unidos – e eram mais baratos. Montou uma pirâmide, então, para vender selos estrangeiros nos Estados Unidos.

Em fevereiro de 1920, o esquema tinha lhe rendido US$ 5 mil; em março, US$ 30 mil; em maio US$ 420 mil; em julho US$ 1 milhão. Foi uma febre que se espalhou por todos os Estados Unidos, levando famílias a venderem suas casas para entrar no jogo. A corrente quebrou, Ponzi foi detido, pagou fiança e fugiu para o Rio de Janeiro, onde terminou seus dias como representante de linhas aéreas. Morreu em 1949, em um hotel para indigentes no Rio.

O esquema Madoff – O esquema Bernard Madoff foi mais sofisticado, pegando apenas milionários. Sua empresa oferecia oportunidade de investimentos que rendiam 1% ao mês – alto para os padrões internacionais, não tão alto que pudesse despertar suspeitas de golpe. Os fundos de Madoff não pagavam rendimentos todo mês. Os investidores acoampanhavam o saldo através de extratos. Só obteriam o saldo completo se resgatassem o dinheiro e saíssem do fundo.

Com os recursos que ia recebendo de novos clientes, Madoff ia pagando clientes que saíam da corrente. Esses recursos eram administrados por um fundo não ligado diretamente ao banco de Madoff, para ficar ao largo da fiscalização das autoridades. Estourou em 2009, levando prejuízo a muitos investidores, inclusive a brasileiros. No Brasil, seu fundo eram vendido pelo Banco Safra e pelo Santander.

O esquema Boi Gordo – O último grande golpe de pirâmide no Brasil foi o das Fazendas Reunidas Boi Gordo. Foi montada por Paulo Roberto de Andrade, de Santa Cruz do Rio pardo.NHistoricamente, a engorda de bois rende 10% ao ano. A Boi Gordo oferecia aos investidores a possibilidade de ganhos de 38% ao ano.

Era o velho esquema da pirâmide, na qual o dinheiro dos que entravam bancava os investimentos dos primeiros que entraram no jogo. A diferença da TelexFree é que, no caso da Boi Gordo, havia alguns ativos – fazendas e rebanhos – de garantia, embora insignificantes perto do rombo que deixou no mercado. O prejuízo atingiu 30 mil clientes. Até abril de 2004, chegava a R$ 2,5 bilhões

O esquema TelexFree – O golpe da TelexFree chegou ao Brasil em 2012. Segundo apurou Pierre Lucena, do Blog Acerto de Contas, só no ano passado por ter movimentado R$ 300 milhões. Se a Polícia Federal não atuar rapidamente, o golpe poderá ser de US$ 1 bilhão. Esse golpe foi montado nos Estados Unidos, com características próprias da era da Internet. Mas os cabeças foram brasileiros.

Valeram-se de duas características da Internet. A primeira, a de permitir oferecer um produto que não existe fisicamente: a possibilidade de fazer ligações de VOIP (telefone através da Internet) pela empresa TelexFree. A corrente consiste em colocar anúncios na Internet vendendo os serviços da TelexFree. Teoricamente, portanto, o faturamento das novas assinaturas de VOIP deveriam bancar o lucro dos vendedores. Hoje em dia, o VOIP é oferecido por gigantes, como o Skype (da Microsoft), Google e Facebook. Uma conta Premium do Skype não sai por mais que US$ 5 dólares mês. Já a assinatura da TelexFree é de US$ 50. Ou seja, a empresa tem um produto que jamais competirá no mercado.

No entanto, valeu-se da segunda característica da Internet – a rápida propagação de informações, para montar esquemas em váris partes do mundo. Acabou tornando-se uma franquia para trapaceiros de várias nacionalidades, a maior parte dos quais no Brasil.

O chefe do esquema é apresentado como James Merril. No site da empresa (www.telexfree.com) informa-se que ele entendeu a potencialidade do negócio quando conheceu brasileiros. Há evidências de que foi envolvido pela quadrilha brasileira, que precisava ganhar um nome estrangeiro, uma empresa estrangeira para dar credibilidade para o golpe.

Para dar maior credibilidade ao golpe, tratou de contatar uma pequena empresa norte-americana, especializada em VOIP. Pata iludir os incautos, a empresa colocou na Internet alguns documentos banais, passando a impressão de ser uma atividade legalizada, como uma Certidão Negativa de débitos contra a União da empresa Ympactus, titular do golpe no país.

Em seguida, graças à Internet, foram se acoplando ao golpe diversos grupos espalhados pelo Brasil inteiro, constituindo, provavelmente, a mais extensa rede de golpistas que o mundo já viu. Picaretas de toda sorte, junto com incautos, abriram sites na Internet, usando o nome TelexFree na URL, entrando nos mais distantes rincões do país, espalhando vídeos e sites pela Internet. Surgiram www.suportetelexfree.com.br, www.brasiltelexfree.com.br e outras.

O site Meu Dinheiro em Casa (http://www.meudinheiroemcasa.com.br/telexfree-nao-fraude-golpe-mas-nao-sustentavel/) foi o primeiro a mapear os golpistas. Descobriu que os domínios da TelexFree no Brasil estavam em nome do Disk à Vontade.

A empresa foi criada dentro da lógica do marketing multinível na forma de pirâmide. Operava já em 2009 com esse modelo. Também descobriu que, no registro da TelexFree nos Estados Unidos, pela Secretary Commonwealth Corporations Division (SEC), 1) a empresa se chamava Commons Cents Communications e foi alterada para Telexfree em 15/02/2012. 2) A empresa original não era de marketing multinivel (a especialização das empresas de marketing que trabalham com sistemas semelhantes, mas em cima de produtos reais). 3) No registro, Merril aparece como presidente. Mas o golpista brasileiro, Wanzeler, dono da Disk à Vontade e da Ympactus, é tesoureiro e diretor.

As conclusões do blog foram taxativas:

– A Telexfree jamais existiu como marketing multinível nos Estados Unidos;
– O contrato é claramente celebrado entre o divulgador e a Ympactus Comercial LTDA e não com a Telexfree INC;
– Se a Ympactus pertence a Carlos Wanzeler e ele é um dos proprietários da Telexfree INC e da Disk a Vontade, ele é o principal mentor do negócio;
– Disk a Vontade, Ympactus e Telexfree são a mesma coisa, apesar de não o ser juridicamente.

Para impedir as denúncias pelo Google, a quadrilha recorre a dois tipos de ação. A primeira foi bombardear os blogs que denunciavam o esquema através de ataques DoS. Os ataques tomavam como base os links no Google. Os dois primeiros links, aliás, eram do meu Blog e do Acerto de Contas, do Pierre Lucena, denunciando o golpe – no meu caso, republicando o artigo do Lucena.

A segunda ação consistiu em inundar o Google e o Youtube com conteúdos utilizando a palavra “denúncia”, mas levando a vídeos enaltecendo o trabalho.

O trabalho da Polícia Federal – Informações dos leitores do Blog indicam que o esquema entrou nas mais distantes cidades no país, chegou a Portugal e começa a entrar na Inglaterra. Há vários elos da quadrilha em todo lugar. Ao mesmo tempo, muitos incautos misturados ao grupo.

O trabalho da Polícia Federal deverá ser mapear os elos da corrente, identificar os cúmplices, separar os incautos e acionar a Polinter, já que o golpe envolve vários países em um sistema em que o dinheiro pode ser transferido para paraísos fiscais em dois tempos. Se não agir rapidamente, detendo os cabeças, permitirá a ampliação do golpe.

Jornalista e blogueiro.

2 thoughts on “O esquema do sistema Telexfree

  1. SAULO diz:

    AMIGO… VOCÊ CONHECE ALGUÉM QUE JÁ PERDEU DINHEIRO COM A TELEXFREE? IMAGINO QUE NÃO , POIS SE VC CONHECER E ACOMPANHAR VERAS QUE O NEGOCIO É LEGAL … POREM SE FOR PORQUE TE INCOMODA TANDO EM VER O POVO DE CLASSE MENOS FAVORECIDA GANHANDO SEU DINHEIRO COM O TELEXFREE. VOCÊ JÁ FOI POBRE UM DIA ? EU TENHO CERTEZA QUE NÃO. ENTÃO DR.MARIO DEIXA O POVO GANHAR SEU DINHEIRO EM PAZ SENDO DIVULGADOR DE UM EMPRESA SERIA QUE PAGA EM DIAS AOS SEUS DIVULGADORES E OS SEUS IMPOSTOS … E PELO O QUE EU ENTENDO TODA EMPRESA PODE TER UMA RAZÃO SOCIAL E O NOME FANTASIA . TENHO UMA BOA NOITE .

  2. Dionisio diz:

    Amigo Quanto voce ta ganhando pra faser isso?
    pois eu siceramente o que voce deveria colocar na cola era dos politicos
    ou voce e um deles ou apadrinhado por eles,se o povo ficar rico
    nao trabalha mais pro governo,nao precisa mais de politico
    e eles querem o paraiso so pra eles, voce deve ta ganhado muito pra divulga isso
    mano nem a policia federal se pronuciou mais voce tem tanta certeza e tem um Blog
    a pelo amor de Deus fassa-me uma garapa

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