Artigo – Por dentro da Ditadura Civil/Militar; uma introdução – por Alberes Silva*

O mês de Março no Brasil é marcado pelo simbolismo do “aniversário” do golpe civil militar, apesar dos questionamentos existentes que a data correta é primeiro de Abril. Durante esse mês farei três artigos para esse blog, sobre o período nefasto da História do Brasil, e por incrível que pareça existe ainda uma corrente de pensamento interpretando que nesse período não houve um regime ditatorial com limites a liberdade coletiva e individual, perseguições, assassinatos, torturas etc  etc.

O golpe de 64 foi marcado pela total influência dos E.U.A, na época o presidente norte americano era o John Kennedy que sob a pressão da Guerra Fria viu a necessidade em intervir diretamente na política de vários países sul-americanos sobretudo, o Brasil. Neste contexto éramos governado  por João Goulart, que estava na eminencia de colocar em prática as reformas de base e que serviu de pretexto para a efetivação do golpe.

Uma figura chave em todo o processo foi o embaixador Lincoln Gordon, ajudou a desenvolver a Aliança para o Progresso, um programa do governo estadunidense de assistência à América Latina, feito com o propósito de evitar que os países da região aderissem a revoluções e ao socialismo já que no Caribe uma ilha se tornou a principal aliada da URSS, e com receio que essa influência se estendesse no continente a forma mais rápida e viável era apoiar e financiar a derrubada de presidentes democraticamente eleitos no cone sul. O Lincoln Gordon se encarregou em ser os olhos e ouvidos de Jon Kennedy, cartas e escutas telefônicas hoje comprovam toda essa relação que tinha único objetivo.

Enquanto no norte do continente o golpe estava sendo tramado e próximo da sua efetivação, aqui no Brasil grupos da sociedade estavam entrando na concordância que era necessário uma intervenção militar para barrar o “avanço comunista”, igreja católica, a classe média e vários políticos deram total apoio a uma intervenção. Era necessário um auxilio externo para a consolidação, os E.U.A bancaram todo o apoio, não é surpresa que na noite de 31 de março a quarta esquadra de guerra do ianques estavam na costa oceânica brasileira, mais precisamente no Rio de Janeiro, caso houvesse resistência de Jango e seus aliados o poderio militar estadunidense entraria em ação.

“Ameaça vermelha”, interesse geopolítico, avanço conservador, embaixador infiltrado e uma classe média historicamente egoísta que não aceita ceder um milímetro do seu status quo foram às junções responsáveis em implantar a segunda ditadura no Brasil, e a primeira de cunho militar.

Na próxima semana abordaremos a questão da Educação na ditadura.

*Alberes Silva é professor

Jornalista e blogueiro.