Artigo – Eleições 2018, o cenário caruaruense – por Jackson Carvalho*

Após as eleições de 2014, fiz sob o meu ponto de vista, uma análise do pleito daquele ano. E agora em 2018 volto a colocar para os amigos o que vi e li das urnas este ano.

Na avaliação que escrevi sobre o Cenário Nacional, eu disse que as urnas apontaram duas opções para os políticos, ou entender o que elas disseram e mudar a forma de fazer política, ou continuar usando os velhos manuais e se aposentar da política.

Fato é que em Caruaru ocorreram grandes ensinamentos, senão vejamos.

Tony Gel, candidato derrotado ao cargo de Prefeito em 2016 conseguiu ser o mais votado para a Assembléia Estadual no município de Caruaru e transferiu conforme havia projetado, a proximidade de 10.000 votos para o seu Federal, Raul Henry, são números menores que o de 2016 quando transferiu quase 16.000 votos para Jarbas, e também seus números são mais tímidos no quesito proporcionalidade, se considerarmos os 83.000 votos que obteve em 2016, fica abaixo dos 50% o total de votos obtidos, número que eu acreditava que o ex Prefeito do DEM iria obter (minha projeção era de 43 a 45 mil votos para Tony). Assim como em 2014 Tony Gel sai muito bem na foto deste momento eleitoral. Até porquê por enquanto se mantém isolado no campo da direita municipal.

Delegado Lessa, não me surpreendeu em seu total de votos em Caruaru, eu projetava que ele teria um teto de 23.000 votos considerando os 43.000 votos que obteve em 2016 no primeiro turno da disputa municipal. E neste caso a lógica aproximada de 50% dos votos da eleição anterior aconteceu. O Delegado Lessa que não tem histórico político a ser avaliado surgiu no momento em que as “novidades” eram pedidas no cenário local, e mesmo não tendo se elegido no primeiro momento consegue fazê-lo agora, e a partir da sua performance como parlamentar poderá se caracterizar como uma nova liderança dentro de um sub-grupo dentro do campo da esquerda.

Laura Gomes em vôo solo e com a grande rejeição registrada pelo Governador Paulo Câmara no município de Caruaru não conseguiu uma performance que a conduzisse de volta a Assembléia, também ficou dentro dos números que eu imaginei e projetei, entre 6 e 8 mil votos. Laura possivelmente assumirá a partir da 3ª Suplência ou terá uma vaga na próxima gestão de Paulo Câmara, dada a relação estreita com os atuais mandatários do Palácio do Campos da Princesas, a Família Campos. Laura, Jorge e Marcelo Gomes também podem ser chamados de sub-grupo dentro do campo da esquerda. Registram uma amarga, porém reversível derrota.

José Queiroz, Prefeito por quatro vezes, Deputado Estadual por quatro vezes também, obteve em Caruaru uma votação surpreendente. Todos esperavam que Zé Queiroz pela avaliação com que deixou o Palácio Jayme Nejaim, tivesse uma votação esmagadora em Caruaru, em meus números eu acreditava que teria algo em torno dos 50 mil votos. Mas nas urnas apenas 24.000 votos foram registrados. O que deu errado com Zé Queiroz? Uma crença coletiva das pessoas de que ele já estava eleito é uma hipótese. A candidatura de última hora é uma outra hipótese. Fato notório é que diferentemente de Tony que hoje reina isolado no campo da Direita, o campo da Esquerda registra uma grande pulverização com diversos candidatos, como o Delegado Lessa, Laura Gomes e o sub-grupo da Prefeita Raquel Lyra e seu Pai João Lyra Neto de quem falaremos na sequência. Apesar da expectativa frustrada de uma votação mais expressiva Zé Queiroz parte para seu quinto Mandato de Deputado estadual e comemora de quebra a reeleição de Wolney Queiroz para o sexto mandato em Brasília. Assim o sub-grupo da Esquerda de Zé Queiroz segue firme e forte sua trajetória política com mais uma vitória maiúscula deste sub-grupo que fez um Estadual e um Federal, independente de ocupar o governo municipal.

Para finalizar a proporcional estadual chegamos a grande derrotada das eleições deste ano, a atual chefe do executivo municipal a Prefeita Raquel Lyra. Numa estratégia desastrosa política e eleitoral, a Prefeita emplacou o slogan “O Melhor pra Caruaru” com dois candidatos forasteiros, desconhecidos da maioria dos caruaruenses e sem nenhum vínculo com a cidade. Neste caso acertei novamente a projeção que fiz, afirmei que teriam um teto de no máximo 10.000 votos, federal e estadual tiveram respectivamente pouco mais de 9.000 e 7.000 votos. Ora essa era fácil, com a derrapagem da escolha dos candidatos associado a uma gestão desastrosa que faz a prefeita não poderia se esperar outro resultado. Neste contexto, terá de recuperar sua imagem abalada por decepcionar a imensa maioria daqueles que votaram nela, dentre os quais eu próprio que votei nela nos dois turnos. Para tentar, se é que terá condições para isto, se reeleger, Raquel terá de tirar uma criação inteira de coelhos da cartola uma vez que nas ruas já se escuta o assustador grito de “Volta Zé”. O Sub-Grupo da Prefeita Raquel Lyra e Seu Pai, ex-prefeito, ex-deputado, ex vice-governador e ex Governador João Lyra sai menor das eleições e com a grande probabilidade de acrescentar mais um ex a esta lista, neste caso ex-prefeita.

Na proporcional federal Caruaru foi decisiva na eleição de dois parlamentares: Wolney Queiroz, que chega ao seu 6º mandato de forma mais robusta, uma vez que transbordou a sua base eleitoral e obteve o maior número de votos do total registrado, através das mas de 60 cidades onde hoje conta com ações e realizações efetivadas através do exercício do seu mandato. Mesmo assim, podemos fazer a crítica ao Deputado de mais de 415 milhões de reais em ações e obras em Caruaru. A sua comunicação durante o mandato manteve baixo o conhecimento do seu alto número de recursos. Projetei para Wolney algo entre 55.000 e 60.000 votos, muito além dos 33.000 votos apurados em favor do deputado Pedetista. Como falei anteriormente o sub-grupo dos Queiroz sai fortalecido desta disputa local.

A novidade destas eleições foi Fernando Rodolfo. Quem? Fernando Rodolfo, sem vínculos com Caruaru o Garanhunhense obteve 28.000 votos em Caruaru, tendo como plataforma o discurso contra o Governador Paulo Câmara. Surfou nas ondas digitais e pegou carona na rejeição do Governador. Rodolfo faz parte do XYZ, será uma incógnita a ser desvendada. E faz parte do sub-grupo do suplente de senador Douglas Cintra. Este sub-grupo tem pontos de intersecção com o sub-grupo do Delegado Lessa.

O que podemos ler disso tudo? A forma de fazer política mudou, está mudando e vai mudar ainda mais. Outros nomes já surgiram, outros nomes estão surgindo e outros nomes irão surgir. Nos bastidores e no palanque. Grupos e Su-Grupos ocultos já podem ser identificados em torno de candidatos novos e já bem sucedidos. Mesmo nunca tendo sido eleito para nenhum cargo eletivo, Douglas Cintra é um destes nomes, oriundo do sub-grupo Queiroz, Douglas apoiou o Estadual Lessa e o Federal Rodolfo. E correndo por fora tem o menino Rafiê, novo xodó da zona rural que busca o seu espaço, nesse caso com um possível novo sub-grupo dentro do campo da direita de Tony Gel, que hoje é solo.

O uso das mídias digitais, a aproximação comunitária e a compreensão de problemas e o uso correto das novas mídias, irão definir novos cenários. 2020 promete muita coisa nova. A conferir.

*Jackson Carvalho é publicitário

Jornalista e blogueiro.