Lula não está morto, mas também não é imbatível

Por Inaldo Sampaio*

A pesquisa do Datafolha divulgada ontem, sobre a intenção de voto dos brasileiros para presidente da República, a primeira realizada após a condenação de Lula em segunda instância, aponta o ex-presidente, mais uma vez, liderando a corrida eleitoral à sucessão de Michel Temer. Nas várias simulações feitas pelo instituto, ele tem entre 34% e 37% das intenções de voto, sendo o maior líder individual do país. Mas isso não significa, em absoluto, que seja imbatível.

Primeiro, porque sua candidatura deverá ser indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral. Em segundo lugar, porque sua rejeição (40%) é estratosférica, não havendo registro na história do país de candidato que tenha sido eleito com quase metade dos eleitores decididos a não votar nele de jeito nenhum. Lula tem força política para chegar ao segundo turno, se for candidato, e para colocar lá quem tiver o seu apoio.

Mas em qualquer das hipóteses o candidato do PT estará vulnerável por causa da alta rejeição, inferior apenas à de Temer (60%) e à de Collor (44%). Como ainda estamos em fevereiro, é muito provável que o quadro de hoje não seja exatamente o de setembro, quando for iniciada a propaganda eleitoral gratuita do rádio e da televisão. Como bem observou o presidente Temer, “morto” Lula não está, mas também não é invencível.