Manter Pernambuco de pé pode favorecer o governador – por Inaldo Sampaio

Início de novembro, políticos do PSB se diziam preocupados com a hipótese de o governador Paulo Câmara não honrar o pagamento do 13º salário dos servidores públicos estaduais. Ou, honrando este, atrasar a folha de dezembro. Se estados muito mais ricos do que Pernambuco, como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, diziam, chegaram literalmente ao fundo do poço, por que esse desequilíbrio fiscal não poderia chegar também a Pernambuco, que tem uma economia muito mais frágil? A preocupação era procedente. Mas, para sorte do Estado e felicidade geral dos pernambucanos, Pernambuco não quebrou. Com ajuda do leilão da folha em 2015 e os recursos da repatriação em 2016, o Estado manteve-se de pé, embora acumulando dívidas com prestadoras de serviços que empregam milhares de terceirizados. 2017 foi um ano menos turbulento porque nele teve início a recuperação da economia. Mas em que pese esta boa notícia fecharam o ano sem conseguir sequer honrar a folha um Estado do Sul (Rio Grande do Sul), um do Sudeste (Rio de Janeiro) e outro do Nordeste (Rio Grande do Norte). É por esse motivo que mesmo sendo obrigação de qualquer gestor pagar o salário dos seus servidores, em dia, o fato de ter evitado que Pernambuco sucumbisse diante da crise pode contar pontos em favor de Paulo Câmara nas próximas eleições.

Quebraram em 2017 um Estado do Sul (RS), um do Sudeste (RJ) e outro do Nordeste (RN)

Casos de arboviroses caem cerca de 90% em PE

Durante o ano de 2017, Pernambuco observou a redução de cerca de 90% do número de casos notificados de dengue, chikungunya e zika, quando comparados os dados com o ano de 2016. A maior redução das notificações foi de zika (93,2%), com 782 ocorrências suspeitas, contra 11.482 do ano anterior. Em seguida vem chikungunya (92,1%) e dengue (85,3%).

“A diminuição no número de casos das arboviroses decorre de diversos fatores, entre eles destacamos o empenho dos órgãos públicos e de toda a sociedade na eliminação dos possíveis criadouros do mosquito Aedes aegypti. Nos últimos anos, estamos fazendo, de forma articulada e em apoio aos municípios e Regionais de Saúde, um trabalho de conscientização da população e de capacitação dos serviços e de gestores públicos para evitar novos casos da doença”, afirma a técnica do Programa de Controle das Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Daniela Bandeira.

Daniela ressalta, ainda, que, “apesar de termos notificados menos casos das arboviroses em 2017, não podemos descuidar. A vigilância precisa ser permanente, principalmente neste período de verão, quando o mosquito tem o clima ideal para se proliferar. Também é importante que os serviços locais sempre façam a inclusão de todos os casos detectados nos sistemas de informação com a maior brevidade possível, pois isso dá mais precisão as nossas ações de bloqueio”.

No enfrentamento às arboviroses, o Estado tem o papel de prestar apoio técnico e de manter um comitê de mobilização permanente com diversos entes da sociedade. Desde 2015, o Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (SES), tem disponibilizado bombas costais, material de campo e equipamentos de proteção individual (EPIs) para o trabalho dos agentes de endemias. Também foram encaminhadas capas para vedação de recipientes para armazenamento de água.

Além de fazer o monitoramento dos municípios, é de responsabilidade do Estado, em situações específicas, como risco de epidemia, reforçar as ações dos municípios por meio da realização do bloqueio de transmissão. Esse bloqueio se dá através da aplicação de inseticida por meio da nebulização espacial a frio (tratamento a UBV), utilizando equipamentos portáteis ou pesados. Esse procedimento é indicado apenas em locais com registro de alta incidência (maior que 300 casos/100 mil habitantes).

Para 2018, estão previstos também um Protocolo de Vigilância dos Óbitos Suspeitos por Arboviroses, para padronizar as informações para a investigação das mortes suspeitas e, com isso, agilizar o fechamento dos casos; campanha educativa focada nos alunos da rede estadual de ensino; e uma parceria com a secretaria de Saúde do Mato Grosso do Sul para aquisição de um aplicativo para auxiliar o trabalho dos agentes de endemias.