Polícia Federal nega que Alberto Youssef tenha sido vítima de envenenamento

Nota à imprensa

A Polícia Federal informa que Alberto Youssef foi hospitalizado hoje, 25.10, no início da tarde, devido a uma forte queda de pressão arterial causada por uso de medicação no tratamento de doenca cardíaca crônica. Esta é a terceira vez que ocorre atendimento médico de urgência após a sua prisão.
São infundadas as informações de possível envenenamento.

Alberto Youssef permanecerá hospitalizado para a adequação da medicação e retornará à carceragem da Polícia Federal na Superintendência em Curitiba, após o seu pleno restabelecimento.

Assessoria de Comunicação – Polícia Federal

Leia o Direito de Resposta de Dilma a Revista Veja

Leia a íntegra do direito de resposta definido pelo ministro:

DIREITO DE RESPOSTA

Veja veicula a resposta conferida à Dilma Rousseff, para o fim de serem reparadas as informações publicadas na edição nº 2397 – ano 47 – nº 44 – de 29 de outubro de 2014.

A democracia brasileira assiste, mais uma vez, a setores que, às vésperas da manifestação da vontade soberana das urnas, tentam influenciar o processo eleitoral por meio de denúncias vazias, que não encontram qualquer respaldo na realidade, em desfavor do PT e de sua candidata.

A Coligação “Com a Força do Povo” vem a público condenar essa atitude e reiterar que o texto repete o método adotado no primeiro turno, igualmente condenado pelos sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por terem sido apresentadas acusações sem provas.

A publicação faz referência a um suposto depoimento de Alberto Youssef, no âmbito de um processo de delação premiada ainda em negociação, para tentar implicar a Presidenta Dilma Rousseff e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em ilicitudes. Ocorre que o próprio advogado do investigado, Antônio Figueiredo Basto, rechaça a veracidade desse relato, uma vez que todos os depoimentos prestados por Yousseff foram acompanhados por Basto e/ou por sua equipe, que jamais presenciaram conversas com esse teor.

Ricardo Coutinho na frente de Cássio na Paraíba, diz Ibope

Do UOL, em São Paulo

Pesquisa Ibope divulgada neste sábado (25), véspera do segundo turno, que aponta para uma disputa apertada na Paraíba. Segundo o instituto,Ricardo Coutinho (PSB), que tenta a reeleição, tem 53% dos votos válidos e o senador Cássio Cunha Lima (PSDB), 47%, dos votos válidos (quando não são computados nulos, brancos e indecisos).

A pesquisa foi encomendada pela TVs “Cabo Branco” e “Paraíba”, registrada sob o número PB-00052/2014, ouviu 812 eleitores entre os dias 22 a 24 deste mês e tem margem de erro de três pontos percentuais para cima ou para baixo.

Se forem incluídos os votos brancos e nulos e dos eleitores que se declaram indecisos, Coutinho tem 49% e Cunha Lima, 44%. Brancos e nulos somam 5% e 2% estão indecisos.

A eleição pelo governo da Paraíba toma a corrida presidencial como espelho.

Coutinho e Cunha Lima, que busca o seu terceiro mandato, ancoraram sua campanha no discurso do alinhamento como o governo federal para prometer grandes obras e projetos sociais.

Foi assim que Coutinho colaram seus nomes em Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) durante a campanha.

O resultado do primeiro turno, no qual Cássio venceu Coutinho por uma diferença mínima –de 47,4% a 46–, foi a senha para o endurecimento da campanha no Estado.

Os dois eram aliados até o início deste ano quando o PSDB entregou os cargos no governo estadual para lanças candidatura própria.

Sensus fecha última pesquisa: Aécio, 52,1; Dilma 47,9

O Instituto Sensus realizou a última pesquisa de intenção de votos para presidente, fechada há pouco, indicando liderança do candidato do PSDB, Aécio Neves, com 52,1% dos votos válidos. A sua oponente Dilma Rousseff (PT), segundo o Sensus, soma 47,9% dos votos válidos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob nº 01193/2014.

Ao contrário de todos os demais institutos de pesquisa do País, como Datafolha, MDA e Ibope, que apontavam para Marina Silva (PSB) disputando o segundo turno com a candidata do PT, o Sensus foi o único a captar o crescimento de Aécio, na reta final, sobretudo após o debate da Rede Globo, indicando que ele estaria no segundo turno, como de fato aconteceu.

Computando-se todas as intenções de voto, inclusive brancos e nulos, Aécio tem 45,7%, contra 42% de Dilma. Indecisos, brancos e nulos somam 12,4%. As entrevistas foram realizadas nesta sexta-feira (24) e hoje, e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais e para menos.

Dilma e Aécio estão em empate técnico, segundo Datafolha

Pesquisa Datafolha com entrevistas realizadas nesta sexta (24) e neste sábado (25) mostra que o segundo turno da eleição presidencial chega ao final com uma disputa bastante acirrada entre a presidente Dilma Rousseff (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB).

Na conta dos votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, Dilma marcou 52%, Aécio alcançou 48%.

Trata-se de um empate técnico no limite máximo da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos.

A probabilidade maior que é Dilma esteja à frente. Isso porque a situação de empate efetivo só ocorre numa combinação que considera os máximos da margem de erro para cada um em sentidos opostos (Dilma para baixo, Aécio para cima).

Na pesquisa anterior do Datafolha, nos dias 22 e 23, Dilma tinha 53%, Aécio 47%, uma diferença fora da margem. A oscilação negativa da petista mostra agora que ela parou de abrir vantagem sobre o rival.

Em votos totais, o placar da última pesquisa do segundo turno é Dilma 47% ante 43% de Aécio. Brancos e nulos somam 5%. Outros 5% não sabem em quem votar.

Os números da atual pesquisa não podem ser confundidos com uma tentativa de previsão dos resultados da eleição deste domingo. O levantamento é um retrato da corrida eleitoral no período em que as entrevistas foram feitas. Com a maior das entrevistas foram realizadas nesta sexta, o levantamento não é capaz de captar com precisão eventuais mudanças de opinião no sábado. Nem tem como identificar eventuais alterações no próprio domingo.

O Datafolha também investigou as taxas de rejeição dos candidatos. Aécio é rejeitado por 41%. Dilma, por 38%.

Por encomenda da Folha e da TV Globo, o Datafolha ouviu 19.318 eleitores em 400 municípios. O nível de confiança é 95%. O registro da pesquisa no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é BR-1210/2014.

Dilma abre seis pontos de Aécio, diz Ibope

Pesquisa Ibope divulgada neste sábado (25) mostra a presidente Dilma Rousseff (PT) com 53% das intenções de votos válidos –sem os brancos e os nulos, como a Justiça Eleitoral calcula a votação–, contra 47% de Aécio Neves(PSDB) para as eleições presidenciais deste domingo.

A margem de erro da amostra é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O Ibope ouviu 3.010 eleitores entre os dias 20 e 25 de outubro.

A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-01195/2014.

No último levantamento do Ibope, realizado entre os dias 18 e 23 de outubro, divulgado na última quinta-feira, Dilma aparecia à frente com 54%, contra 46% de Aécio, computando-se os válidos. Na contagem geral, Dilma tinha 49% das intenções de voto, contra 41% de Aécio. Dos entrevistados, 3% não souberam ou não responderam. Outros 7% disseram que votariam em branco ou nulo.

Pesquisa CNT/MDA mostra empate técnico, mas com Aécio na frente de Dilma numericamente

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Pesquisa CNT/MDA divulgada nesta manhã mostra o candidato à presidência do PSDB Aécio Neves numericamente à frente da candidata à reeleição Dilma Rousseff, mas em empate técnico. De acordo com o levantamento, o tucano teria hoje 50,3% das intenções de votos válidos contra 49,7% da candidata do PT à Presidência da República. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

O levantamento mostra que o candidato tucano oscilou em alta e a candidata à reeleição oscilou para baixo. Pesquisa anterior CNT/MDA mostrava que o porcentual de votos validos para Aécio era de 49,5% contra 50,5% de Dilma

A intenção de voto espontânea também mostram os candidatos empatados tecnicamente com Aécio Neves levando 44,4% dos votos e Dilma 43,3% do total. Na pesquisa estimulada os números vão a 45,3% para o candidato tucano e 44,7% para a candidata à reeleição.

A sondagem mostra que 43,3% dos entrevistados não votaria em Dilma de jeito nenhum enquanto no caso de Aécio, 42,8% dos consultados não votariam nele de jeito nenhum. No levantamento anterior, 41% não votariam em Aécio e 40,7% não votariam em Dilma.

A pesquisa foi registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR – 01199/2014 e realizada nos dias 23 e 24 de outubro com 2.002 pessoas entrevistadas em 137 municípios de 25 Unidades da Federação.

Marina diz que encerra campanha sem dívidas

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A nota “Rede de gastos”, publicada na revista “Veja” (seção Radar, edição de 29 de outubro), equivocadamente afirma que a contabilidade da campanha de Marina Silva à Presidência da República se encerrará sem a devida equalização de suas dívidas.

Para evitar que a má informação transforme-se em mais um boato, o Comitê Financeiro da ex-candidata esclarece que a governança das finanças da Coligação Unidos pelo Brasil seguiu diretrizes rigorosas para assegurar a sustentabilidade de suas contas.

Não há nenhuma despesa prevista sem a respectiva comprovação baseada em contratos ou Notas Fiscais emitidas de acordo com as normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral.

O Comitê Financeiro encaminhará ao Tribunal Superior Eleitoral a prestação de contas dentro do prazo legal, sem dívidas para o Partido Socialista Brasileiro (PSB).

São Paulo, 25 de outubro de 2014

Márcio França, presidente do Comitê Financeiro da Coligação Unidos pelo Brasil

Bazileu Margarido, administrador da conta da candidata Marina Silva

Opinião – A reorganização das forças populares – por Paulo Nailson*

Neste domingo, 26, seja qual for o resultado das eleições para presidente, uma necessidade está em curso: o fortalecimento e nova organização do povo. Só na reta final da campanha neste segundo turno foi que Dilma conseguiu melhorar nas pesquisas, passando de um resultado desfavorável a um empate técnico e, deixar a margem de erro ficando alguns pontos a cima. O que teria elevado tanto os índices chegando a superar até a rejeição?

Vimos a adesão dos movimentos sociais, intelectuais e artistas (incluindo parte da militância que votou em Marina no primeiro turno) e mesmo aquela militância mais aguerrida que estava quieta partiu para ação. Claro que em linhas gerais votam o chamado voto crítico, apoiando a reeleição, mas com reservas ao PT. Ainda que, como escreveu esta semana Atílio A. Baron “na sua triste involução (o PT) passou de uma organização moderadamente progressista a ser um típico ‘partido da ordem’ e que sequer lhe serve adequadamente o adjetivo reformista,” votar na Dilma é o único instrumento no Brasil para evitar um mal maior, muito maior.

Por mais que o PT tenha negligenciado suas bases, há uma grande camada da população que lutou muito para chegar aonde chegamos, tendo vários destes tombados no caminho. Novamente organizar os segmentos populares e fortalecer a luta é imprescindível agora. Este desafio está posto seja qual for o resultado domingo. Reafirmando valores e combatendo o erro. Se for necessário reinventar algo que o façamos
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A CAMPANHA DE DILMA EM CARUARU
O PT parece não ter enxergado o município como pólo concentrador que tem uma população em torno de 1,5 milhão de habitantes na região, a cidade demorou a ter um comitê de Dilma, dando espaço para Frente Popular sair na frente com os comitês de Marina e Paulo Câmara e, permanece fazendo uma campanha aquém do esperado. A Campanha de Dilma (PT) teve desde seu início uma forte participação do senador Douglas Cintra (PTB) em suas ações.

Douglas foi o coordenador-geral da campanha da coligação Pernambuco Vai Mais Longe, ou seja, de Armando Monteiro para Governador do estado. E, além dos poucos que tinha, alguns vereadores também se manifestaram favoráveis nestes dias. Em redes sociais a petista Louise lamentou que “João e Raquel Lyra, Zé e Wolney Queiroz, Jorge e Laura Gomes, tenham decidido “se juntar” a Aécio Neves, citando as quatro “grandes famílias” como equivocadas, além, é claro, de Tony Gel e Mirian Lacerda. Deixando de citar a participação efetiva em todo processo do primeiro turno e principalmente agora, no segundo turno, de Cintra, estando ele presente e discursando inclusive em momentos decisivos como na convocação à militância para primeira reunião após a votação do primeiro turno, no Comitê da avenida Agamenom Magalhães.

O suplente de Armando Monteiro permanecerá até novembro como titular na cadeira do Senado e nestes três meses em que está em Brasília ele permanece acompanhando de perto todo processo eleitoral e sempre dedica tempo para ajudar e tomar decisões organizativas da campanha para reeleição da presidenta.

LÁ NO SENADO – Douglas Cintra é membro das mais importantes comissões: Comissão de Constituição Cidadania e Justiça (todos os temas estratégicos do Senado passam por ela), Comissão de Assuntos Econômicos, Comissão de Educação e Comissão de Desenvolvimento regional.

PLEBISCITO SOBRE A FEDERALIZAÇÃO DO ENSINO MÉDIO - Em tramitação nas comissões no senado o plebiscito que vai saber se a população concorda com a federação do ensino básico, em recente entrevista na rádio web do senado, Douglas disse que “trabalha sempre com a perspectiva de que a educação é prioridade para o país,” mas que precisa se aprofundar e discutir mais sobre isso, inclusive para saber sobre a origem dos recursos para efetivar tal ação. Defendo debate amplo e profundo na sociedade e nas comissões.

ROTA BIOCEÔNICA – na mesma entrevista ele citou que precisa ter mais escoamento do que produzimos a um custo mais barato viabilizando oportunidades dos produtos saírem das regiões mais centrais do Brasil. O senador falou, por exemplo, que “de Pernambuco, sai mais em conta trazer um container de gesso do Canadá para São Paulo do que um caminhão de gesso terrestre via Araripina e São Paulo, “ai nossa competitividade se acaba” comentou.

SEMINÁRIO ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS EM PE
Entre 2007 e 2012 o PIB de Pernambuco cresceu 4,6% e do Brasil 3,6%, Douglas quer aumentar o crescimento do estado. Organizada pela COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO SENADO, com a participação da Comissão de Turismo de Pernambuco e Polo de Confecções e Turismo vai acontecer em breve uma audiência pública para debater o tema. Ainda sem data confirmada participarão representantes do Ministério da Integração Nacional, Ministério Público estadual de Pernambuco, SEBRAE, Federação das Indústrias de Pernambuco, Fundação de Cultura e Turismo de Caruaru, etc.

SAIBA MAIS – O senador Legisla; autoriza operações financeiras externas e condições de crédito da União, estados e municípios; aprova a escolha de presidentes e diretores de empresas públicas, membros do poder judiciário e diplomatas.

*Paulo Nailson escreve semanalmente no blog Política de AaZ. No Jornal de Caruaru tem a coluna Cultura e Cidadania e é responsável pelo blog presentiaonline. Atua na Cultura e no meio político.

Opinião – A história esquecida da “esquerda” institucional em Caruaru – por John Silva*

Neste domingo é dia de eleição presidencial, eleição esta disputada em segundo turno esse ano, dois nomes distintos, duas trajetórias cheias de dissenso, enfim Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), essa disputa nacional evidentemente mexeu com os ânimos de sujeitos que eram pessoalmente identificados ideologicamente com a esquerda, direita ou centro. A nível local em alguns casos os arranjos de apoio político causam inquietude e espanto em muita gente. Nas últimas semanas a sociedade pernambucana, especialmente a caruaruense pode acompanhar de perto os apoios e arranjos que se formalizaram em Pernambucano nesse segundo turno. Observamos uma parcela de surpresos, e outra parcela que percebendo a plasticidade de nossa cultura política e o verdadeiro “sarapatel ideológico”, natural aos acordões políticos, não mostrou tanta surpresa.

Em nossa cidade causou muito espanto entre trabalhadores, profissionais liberais, educadores, militantes de esquerda, e amantes da boa política e cidadãos em geral o fato dos dois grupos de maior peso político, historicamente tradicionais na cidade, digo os: Lyra – Queiroz e por último o braço auxiliar deste segundo que citei encarnado nos Gomes, identificados no imaginário da cidade com a “esquerda” e sua tradição de lutas junto às camadas menos favorecidas estarem apoiando a eleição de Aécio Neves (PSDB), conceitualmente enquadrado na direita, junto às forças de direita no país. Ouvi muita gente pelas redes sociais, pessoalmente, até mesmo em alguns veículos de comunicação dizer “os Queiroz e os Lyra estão jogando no lixo a sua trajetória de esquerda”.

Existiram também outros apontamentos no sentido de como a população em geral perceberá futuramente nas próximas eleições a movimentação da elite política local, mas não quero me deter a isso, quero chamar atenção para uma outra pergunta: Será mesmo que os Lyra-Queiroz jogam do ponto de vista histórico sua trajetória no lixo? Algumas indagações históricas ajudam a entender a dinâmica local e a estratégia dessas elites.

A primeira delas é de como se deu a montagem institucional dessas forças na cidade até chegar aos dias atuais? Será que esses grupos não procuraram se apropriar de um discurso (eu até diria que algumas práticas) de “esquerda”? Penso que as respostas a essas perguntas confirmariam o que muitos acreditam existir na cidade: uma superficialidade no que tange a “esquerda institucional”. Assim quero chamar esses grupos membros da elite politica local, no quesito ideológico e também em sua estratégia de atuação, destaco que irei me atrelar aos grupos identificados com a “esquerda”, não falarei do fenômeno Tony Gel, já que este é indubitavelmente considerado como de “direita”, na cidade.

Como historiador, me apego às questões temporais, as questões do passado para entender o presente e nesta reflexão que faço, busco entender esses movimentos da “esquerda” de caruaru no presente, para alguns traição, para outros resultado de nossa cultura política, que, aliás, no país de Caruaru é atrasadíssima, diga-se de passagem. Quero assim fazer um rápido panorama histórico da gênese da esquerda caruaruense representada nesses grupos anteriormente citados, vou começar pelos Lyra e depois Queiroz.

A primeira vitória da esquerda em Caruaru, como comumente é aceita está na entronização dos Lyra no poder em 1959, mas particularmente com o êxito eleitoral do na época comerciante e empresário João Lyra Filho, pai do atual governador João Lyra Neto (atualmente no PSB, mas já foi PMDB, PPS, PT) e avô da deputada Raquel Lyra (PSB). João Lyra Filho na época filiado a UDN (União Democrática Nacional), de linha conservadora e oposicionista a Getúlio Vargas, mas as semelhanças com o que podemos chamar de “direita” não param por aí, pouca gente sabe, mas quem lançou João Lyra Filho na política foi Drayton Jayme Nejaim, na época deputado, também da UDN e a maior figura de direita que Caruaru nestes últimos 40 anos pode produzir.

O seu apoio foi sem dúvida crucial para que João Lyra Filho lograsse êxito. É fato que posteriormente ambos colocam fim a aliança inicial. Não bastasse Drayton Nejaim que após o golpe civil militar de 1964 ingressou no ARENA, depois PDS ter lançado no fim da década de 1950 o grupo Lyra, há em observação ter lançado também na política nomes como Fernando Lyra, caberá a estes lançar ao poder o que se consolidará como o grupo Queiroz, e o ano é 1976, e neste ano João Lyra Filho não é mais UDN, agora junto com outros de seu grupo que há alguns anos havia ingressado no MDB, apoiam e lançam como candidato a Prefeitura de Caruaru, José Queiroz de Lima, então bancário, radialista, comerciante e no governo anterior membro da gestão Lyra, havendo feito curso na Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro na condição de assessor de João Lyra Filho. A eleição de 1976 será vencida por Drayton Nejaim, que havia disputado internamente no PDS com Roberto Fontes antes do pleito.

No entanto, José Queiroz só obteria êxito nas questões de sublegenda, não de maioria de votos em Caruaru em 1982, quando com o apoio dos Lyra, agora do MDB desbanca o empresário Adolfo José da Silva, na época candidato pelo PDS 1, lançado por Drayton Nejaim que neste ano se elegerá deputado estadual, foi nesta eleição que tivemos uma terceira candidatura na época, quase não mencionada pela imprensa e pelas pesquisas, trata-se de Luiz Costa pelo PT, uma “singela terceira alternativa política” como disse um amigo meu, que somou 66 votos na cidade.

Por último, queria passar rapidamente sobre o ano de 1988, ano que o atual governador João Lyra Neto, uma camaleão partidário como alguns chamam disputa sua primeira eleição na cidade e apoiado pelo grupo Queiroz vence Tony Gel por diferença de 78 votos. Não posso deixar de mencionar os Gomes o subproduto dessa elite de “esquerda” que serão lançados no ano 2000, e serão derrotados pelo herdeiro de Drayton Nejaim, assim considerado por muitos, mas não pelo próprio Drayton. Vale salientar que Tony Gel vai emergir em um espaço deixado pelo Drayton Nejaim, e com apoio dos Lacerda que desde a década de 1960, prestavam sólido apoio ao grupo chefiado por Drayton Nejaim que sairá da cena politica em 1988, lembro que Tony vai integrar-se a família Lacerda, através de seu casamento com a filha do grande apoiador e amigo de Drayton, o sr. Luiz Lacerda.

Esse ano de 2014, completamos 55 anos da inauguração de experiências de “esquerda” na cidade, iniciadas com a vitória e entronização dos Lyra no poder em 1959, transformando esse grupo na família política mais poderosa do Agreste, uma verdadeira oligarquia que se dá ao direito de lançar outros grupos como os Queiroz e permitir a existência de subprodutos da “esquerda caruaruense” como os Gomes e também permitir “renovação” a sua renovação a partir de seu grupo seleto, ou seu DNA sanguíneo, como já verificamos em um slogan de campanha de um vereador eleito em 2012, “a politica tá no sangue”. É a lógica obsessiva dessas elites a perpetuação no poder e a apropriação dos espaços de poder pelos seus membros, produto disso não é só o vereador citado acima, mas o filho do atual prefeito que conseguiu mandato na cidade graças ao poderio da família em 1992, se elegendo vereador aos 19 anos, atualmente eleito para o quinto mandato de deputado federal.

Essa vitória primitiva da esquerda permitida, assistida e apoiada por forças que no passado representavam o que existia de mais conservador, reacionário e de “direita”, sem deixar de destacar o perfil socioeconômico dessas primeiras lideranças, evidencia que temos uma história esquecida da esquerda de Caruaru, que acaba ilustrando seu nascimento confuso e improvisado, então amigos espantados com o apoio dos grupos de “esquerda” da cidade à Aécio Neves (PSDB), não se espantem. Há coisas que causam mais espanto como, por exemplo, a mitificação simbólica que produziram sob a figura do Mestre Vitalino, que agora tem até Hospital de grande porte inaugurado orgulhosamente por essas lideranças, as mesmas que fazem parte de uma elite local que no passado, em 1963, ano de sua morte negou até a ida de uma ambulância para socorrer o hoje tão aclamado Mestre Vitalino. Existe uma musica de Engenheiros do Hawaii chamada: A Revolta dos Dântis II, um dos refrões da canção destaca bem o que queria dizer desses grupos locais são “dois lados da mesma moeda”. E assim é a dinâmica dos grupos tradicionais de “esquerda” na cidade, que comumente são referendados assim.

Eu penso enquanto cidadão, caruaruense que seria muito mais justo para a elite política local admitir sua vocação de centro, dada sua história, aliás a sociedade brasileira é permeada por uma espécie de “plasticidade politica-ideológica” e vocacionada para tal. Eu concordo com uma colega de profissão que ouvi na rádio outro dia, a profa. Ana Maria Barros que dizia “os políticos de Caruaru tem vocação para o centro, são de centro”.

*John Silva – Professor, historiador, pesquisador vinculado a UFPE, militante político, e líder comunitário, também foi membro do movimento estudantil da FAFICA.